Brasil e seu maior problema: infraestrutura

O Brasil é um país bem característico. Tem um jeito malemolente, insolente, relaxado. É um traço da personalidade do país. Em algumas áreas, como as de criação, música e esporte, por exemplo, cai como uma luva, o brasileiro tem diferencial, brilha e demonstra suas qualidades, mas, para outras, essas características são como um pesadelo.

Futebol, samba e carnaval

Somos um povo ligado em aparências, e aparências escondem uma triste realidade por baixo. Assim, em diversas áreas, as propagandas e fachadas escondem empresas que não conseguem atender adequadamente seus clientes. Não sabemos investir em infraestrutura.

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A difícil arte de manter um blog

Esses dias tive curiosidade de ver o relatório deste blog, diga-se de passagem o que tive por mais tempo. No relatório descobri que a média diária de visitas dele é de 45 pessoas (muito obrigado a todos que tem paciência para com meus textos).
A partir daí tive a primeira conclusão: Poxa faz quase 4 meses que não há um post, porque tanta gente vem aqui?
E a segunda conclusão: Será que essas pessoas serão meus ex-leitores?
Sim, ex-leitores. Por mais que haja um texto que interesse ao leitor, a falta de atualização faz com que depois da terceira olhada e não vê nada de novo conclui que continua tudo na mesma, pelo menos eu penso assim em blogs que leio.
Aí chegamos no perfil: Tenho profissão, emprego estável, trabalho todos os dias. O tempo que posso gastar com o blog é pequeno, e com o fato que gosto de fazer textos mais analíticos, demandam obviamente análise, observação, comprovação e coerência.
Textos mais longos, pela lógica, levam mais tempo para serem escritos, revisados. Acaba que este está na contramão do imediatismo que a internet promove.
Blogueiros profissionais, os probloggers, possuem tempo para criarem seus textos, assim podem movimentar e renovar o público que lê e intercalam textos mais curtos com longos, o que harmoniza mais, pois dá mais fluidez de leitura, pois podem ser lidos durante o trabalho, os afazeres, etc já que tomam menos tempo.
Como podem perceber, até essa linha, foi todo o raciocínio que tive quando vi o relatório, vamos para o outro lado da história.
Por mais brincadeira que possa existir com o problogger, que pecam mais na reclamação dos adsenses da vida (nunca vi num texto de jormal um jornalista reclamar que tá ganhando pouco #fikdik) do que pela produção que tem, eles são fundamentais para o ecossistema da internet. Assim como os blogs que tem textos mais longos. O equilíbrio é o segredo. E não necessáriamente quem chega aqui sera um ex-leitor com o tempo (desde que eu tenha uma produção mais frequente, há limites também).
Desde quem produz freneticamente ou quem produz pouco tenha textos que mereçam ser lidos conviverão de forma pacífica e amigável. O que é preciso é o cuidado com o estilo do blog e estilo do leitor, que são assuntos para um próximo post.

O desperdício que você não vê não significa que não existe

Esses dias conversando com amigos surgiu a discussão sobre a expressão “spammer de merda”, que até gerou um excelente post do amigo Gravataí Merengue (aqui) em que ele, na visão de cidadão e usuário ativo da internet, encara como uma indignação de pessoas, vamos dizer, inaptas ao convivio social que descontam suas frustações em pessoas e/ou coisas utilizando seu computador como escuto e se falassem no mundo real apanhariam, resumindo, é reclamação de bundão. Que nos dias atuais pessoas se importam mais com um spam do que com panfletos que sujam, poluem e geram prejuizo. Que com um e-mail é só criar um filtro ou apagar manualmente que se resolve e que spam não polui ou gera prejuízo como os panfletos, por exemplo. Concordo com a sua retórica, sim, tem gente que reclama de tudo e sem razão, como se spammers fossem assassinos em série, ou pedófilos.

Mas este fato, que spams não geram prejuízos, é o que comentarei, sobre este custo. Na verdade spam e o uso não responsável de tecnologia geram muitos custos, tão grandes como papel nas ruas, desperdício de comida no transporte das fazendas aos centros de distribuição, entre outras coisas, a grande diferença é que desperdício de recursos de internet são invisíveis ao usuário comum.

Spams geram um grande tráfego e consomem equipamentos caros e exclusivos a este fim, criados para evitar que estes e-mails indesejados cheguem às empresas e usuários.

Cisco IronPort
Cisco IronPort

Este é um dos appliances antispam, antivirus e antimalware mais utilizados no mercado. Pela bagatela de aproximadamente R$ 300.000,00 de aquisição do equipamento, que suporta aproximadamente 40.000 caixas postais, mais licenças, válidas por um ano, fora o custo do treinamento e de energização, ar condicionado, espaço físico, cabeamento CAT 6, entre outras coisas, que chamamos no jargão técnico de facilities (facilitadores). Tudo isso é investido para que do total de e-mails diários sejam expurgados os e-mails em questão, em média 92% são spam/contém vírus/malware. Sim, amigos, apenas 8% e-mails são realmente úteis, no sentido de que destinatário e recebedor se conhecem ou para cumprir um fim, pois no meio destes ainda constam os e-mails de piada, os arquivos powerpoint e as fotos de pornografia, que dão prejuízo também, mas são assunto para outro post. Mesmo assim há um custo que o pessoal de infraestrutura não conseguiu resolver, o do link internet, pois se chega spam no seu antispam significa que consumiu recurso do seu link internet. Resumindo, o antispam otimiza sua estrutura de e-mail retirando os indesejados, afinal para tratar todos os e-mails seria necessário um estrutura 10 vezes maior, teoricamente, mas ainda sim onera seu link.

Outro detalhe é que empresas que não tem corpo técnico especializado em TI, nem tem contratos de manutenção terceirizada, mas possuem estrutura básica de e-mail, conhecido como MTA (Mail Transport Agent) e não são atualizados e configurados para trabalhar da forma correta são a maior fonte de envio de spams, pois sua estrutura é utilizada como um “escravo”. Assim essas empresas acabam tendo um desperdício duplo, além de contribuirem para o desperdício de outras empresas, instituições e para a rede.

O antispam.br, grupo montado pelo CGI.br (Comitê Gestor de Internet) apontou que 98% dos spams atribuidos como enviados do Brasil na verdade são enviados da China, Rússia, Índia e USA utilizando servidores “escravos” brasileiros. Assim os “spammers de merda” tão aclamados nem estão aqui no Brasil para serem punidos.

Assim digo, se você não vê o desperdício não significa que ele não existe. E não é porque você não gosta de spam que você pode reclamar de spammers, e ficar quieto do que acontece na sua cara e que você vê. Devemos combater todos os tipos de poluição e desperdício, sejam eles do mundo real ou virtual.